Por que foto com Trump pode ser valiosa para Lula na eleição, segundo analistas

Crédito, Ricardo Stuckert/Presidência do Brasil
Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez uma ligação telefônica para Donald Trump em outubro do ano passado, o petista tentou quebrar o gelo fazendo uma brincadeira com a idade deles.
Lula estava prestes a completar 80 anos, idade que Trump alcançará no próximo mês de junho.
Na época, o Brasil vivia sob as tarifas impostas pelo governo dos EUA sobre diversos produtos brasileiros e aquela ligação era a primeira vez que eles conversavam sobre o tema.
Segundo uma fonte próxima ao governo afirmou à BBC News Brasil na época, Lula afirmou, com um tom de "deixa disso", que eles não tinham "mais idade" para provocações. E prometeu que visitaria Trump próximo ao 80º aniversário do americano.
Faltando um mês para Trump completar 80 anos, Lula esteve na Casa Branca nesta quinta-feira (7/5) para uma reunião com o líder americano.
O encontro ocorreu após o novo atrito entre os dois países causado pelo episódio de prisão e soltura do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL) nos Estados Unidos.
A situação levou o governo americano a expulsar um agente da Polícia Federal brasileira que atuava como oficial de ligação nos Estados Unidos. Em resposta, o Palácio do Planalto também descredenciou um oficial americano que atuava no Brasil.
No pano de fundo estão também os ataques de Trump ao Pix, a possibilidade de os EUA classificarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, os investimentos em minerais críticos e as tarifas que ainda permaneceram do "tarifaço".
Ainda não se sabe do que Lula e Trump falaram de fato em quase três horas de reunião, que incluiu um almoço.
Não houve aparição conjunta dos dois diante da imprensa, mas Trump e Lula posaram para várias fotos, ambos sorridentes. E o americano foi visto fazendo um tour pela Casa Branca com o brasileiro.
Em sua rede social, Truth Social, Trump disse que a reunião foi "muito boa" e que os dois conversaram sobre tarifas e preevem novas reuniões entre suas equipes.
Uma foto para a eleição
Fim do Promoção Agregador de pesquisas
Antes do encontro, a professora de Relações Internacionais da Universidade Federal (Unifesp), Regiane Bressan,de São Paulo (Unifesp), apostava que a reunião deveria tangenciar a pauta das terras raras, por exemplo.
Já para Oliver Stuenkel, pesquisador do Carnegie Endowment e Harvard e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), previa uma reunião sem grandes tensionamentos.
Mas ambos concordaram que a ida de Lula à Casa Branca é estratégica para as eleições deste ano.
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"A direita tem um imaginário que vincula muito a política externa brasileira à Venezuela, a governos progressistas, à esquerda. E essa estratégia de tentar se desvincular disso é interessante, sobretudo se o encontro significar que existe uma autonomia e soberania brasileira", afirma Bressan.
Em entrevista à repórter Mariana Schreiber, da BBC News Brasil em Brasília, na semana passada, o especialista em relações internacionais Guilherme Casarões, professor da Florida International University (EUA), afirmou algo na mesma linha.
"A única forma pela qual Trump poderia reequilibrar esse lugar que os Estados Unidos ocupam na conversa eleitoral é se ele tiver o encontro com o Lula e se esse encontro for bom."
Segundo Stuenkel, além da direita perder a narrativa de que seria mais alinhada a Trump, Lula ainda teria a seu favor a cartada da diplomacia.
Em caso de reunião bem sucedida, "é claro que o Lula vai usar isso dizendo que consegue trabalhar com qualquer um, enquanto Flávio [Bolsonaro] carece de uma experiência diplomática."
Já Bressan pondera que "pensando em relação a essa estratégia de desvincular a direita dos EUA, ela é interessante para mostrar o quanto o Brasil dialoga com os EUA", diz. "Mas não salva nenhuma eleição".

Crédito, ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP VIA GETTY IMAGES
Diálogo ou 'armadilha'?
Foi o terceiro encontro entre Lula e Trump e a segunda vez que o presidente brasileiro viajou aos Estados Unidos em seu terceiro mandato. O primeiro encontro entre Lula e Trump ocorreu brevemente durante a cúpula da ONU, em Nova York, em setembro do ano passado.
"Tivemos uma química excelente", afirmou Trump, na época, sobre o breve encontro, no auge das tarifas impostas pelos EUA ao Brasil.
No fim de outubro passado, eles se reuniram em Kuala Lumpur, na Malásia. O encontro durou cerca de 50 minutos e ocorreu durante a realização da 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).
Embora os dois encontros anteriores entre Lula e Trump tenham sido todos dentro dos padrões usuais da diplomacia, o presidente americano ainda segue sendo considerado imprevisível — duas reuniões de Trump com outros chefes de Estado no ano passado terminaram em bate-boca — e havia o temor, no governo brasileiro, que houvesse algum constrangimento para Lula.
Em março de 2025, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, foi repreendido na frente na imprensa mundial na Casa Branca, depois que Trump e seu vice-presidente, JD Vance, exigiram que ele mostrasse mais "gratidão" pelos anos de
Dois meses depois, Trump recebeu o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, na Casa Branca para uma agenda focada em comércio e cooperação tecnológica.
No entanto, poucos minutos após o início da reunião, Trump fez acusações de que estaria ocorrendo uma "limpeza étnica" contra brancos na África do Sul.
Tanto Stuenkel como Casarões consideram que o Planalto avaliou que valia a pena correr o risco para ter a foto de Lula e Trump.
"Da parte do governo brasileiro, acho que isso também é parte do cálculo: 'a gente quer uma foto com o Trump, essa foto seria valiosa, por exemplo, pra neutralizar uma parte importante da narrativa da campanha do Flávio Bolsonaro, segundo a qual, ele é o único político que tem uma boa relação com o presidente americano'.




























