PF faz operação contra perito que teria vazado informações sobre contrato de mulher de Moraes com Banco Master

Crédito, Getty Images
- Author, Mariana Schreiber
- Role, Da BBC News Brasil em Brasília
- Published
- Tempo de leitura: 3 min
A Polícia Federal realizou nesta terça-feira (19/05) uma operação em Rondônia para apurar um suposto crime de violação de sigilo praticado no âmbito da Operação Compliance Zero, operação que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes envolvendo o Banco Master.
A BBC News apurou que o alvo da operação é um perito suspeito de vazar à imprensa informações sobre o contrato entre o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, e o Banco Master.
Em dezembro de 2025, a PF encontrou no celular de Daniel Vorcaro, dono do Master, um contrato de R$ 129 milhões firmado com o escritório de advocacia de Viviane Barci. O valor também foi revelado pelo jornal O Globo.
O documento, localizado na Operação Compliance Zero em 18 de novembro, previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões ao escritório por três anos a partir de 2024.
Segundo informações obtidas pela BBC News Brasil, o vazamento investigado pela Polícia Federal não tem relação com os áudios divulgados na semana passada pelo portal The Intercept Brasil, as conversas revelaram a ligação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, banqueiro que está preso.
Os vazamentos investigados agora teriam ocorridos em dezembro do ano passado e janeiro deste ano. A Compliance Zero foi deflagrada em 2024.
Segundo nota divulgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o relator do caso na Corte, ministro André Mendonça, acolheu representação da Polícia Federal, que está cumprindo dois mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares diversas da prisão — entre elas a suspensão do exercício da função pública de um policial federal supostamente envolvido no crime.
Segundo a Polícia Federal, o investigado — que trabalha como perito criminal federal — teria repassado a um jornalista informações sigilosas relacionadas a fatos ocorridos no início das investigações, obtidas a partir da análise de material apreendido durante uma das fases da Operação Compliance Zero.
Em nota, o STF afirmou que "as medidas não implicam qualquer direcionamento investigativo contra jornalistas ou veículos de imprensa, permanecendo preservadas a liberdade de atuação jornalística e a garantia constitucional do sigilo da fonte".
Segundo o STF, a investigação tem como objetivo apurar "a conduta de agente público que, em tese, teria violado o dever funcional de resguardar informações sigilosas".




























